Mawlana Shaykh Nazim

Mawlana Shaykh Nazim

Mawlana Shaykh Nazim

 

Oh tu, que te foste em peregrinação
Aonde estás? Onde, oh onde?
Aqui, aqui está o Amado
Oh vem já, vem, oh vem!
O teu Amigo, Ele é teu vizinho,
Mora ao lado da tua casa –
Tu, errando pelo deserto!
Que brisa de amor é esta?

(Rumi, Divan, 106)

 

Shaykh Muhammad Nazim Adil al-Haqqani [ar-Rabbani] é o imã da gente da sinceridade, o segredo da santidade, que reavivou a Ordem Naqshbandi no final do século XX com orientação celeste e ética profética. Ele infundiu na Comunidade e no planeta, o amor de Deus, depois de terem sido obscurecidos com fogo e fumo de tribulação e terror, ira e sofrimento.

Shaykh Muhammad Nazim Adil al-Haqqani [ar-Rabbani] é o desvelador dos segredos, o guardião da luz, o shaykh dos shaykhs, o sultão dos ascetas, o sultão dos pios, e o líder da gente da Verdade. Ele foi o mestre sem igual dos mestres do Divino Conhecimento no passado século XX, e transportou a chama desse Conhecimento para o novo milênio. Ele é a chuva proveniente do oceano de conhecimento da sua Ordem, que está a reavivar os espíritos em todas as partes deste mundo. Ele é o santo dos sete continentes, tendo a sua luz atraído discípulos de todos os quadrantes do globo. Ele usa o manto da Luz da Divina Presença. Ele é único no seu tempo. Ele é a orquídea plantada na terra do Amor Divino. Ele é o sol de todos os universos. Ele é conhecido como “o Santo das Duas Asas”: o conhecimento do exterior e o conhecimento do interior.

Shaykh Nazim é um milagre dos milagres de Deus, caminhando na terra e planando nos céus. Ele é um segredo dos Segredos de Deus, surgindo na Sua Divindade e existindo na Sua Existência. Ele é o possuidor do trono da liderança, o reavivador da Lei Divina, o mestre da Via Sufi, o obreiro da Verdade, a guia do círculo e o lírico poema de todos os segredos. Ele é o mestre dos santos e o santo dos mestres. Os demandadores circundam a Kabah da sua luz. Ele é uma fonte sempre transbordante, um oceano infinitamente a quebrar as suas ondas em infinitas praias.

Com o total suporte de todos os abençoados santos da Cadeia de Ouro, e sob o comando do seu shaykh, Grandshaykh Abd Allah al-Faiz ad-Daghestani, Shayk Nazim Adil al-Haqqani disseminou os ensinamentos da Ordem Sufi Naqshbandi por todo o mundo. Deus concedeu-lhe um poder miraculoso através de uma constante e ininterrupta recepção de energia proveniente da Cadeia de Ouro, com o qual ele continuamente alcança o mundo inteiro, alcançando cada região com o seu poder espiritual e a mensagem de paz e harmonia divinas.

GrandeShaykh Abdullah ad-Daghestani, 39º Grande Mestre da Tariqa Naqshbandi

 

Graças a esta iluminada liderança, os ensinamentos da Cadeia de Ouro mantêm-se hoje tão atrativos aos demandadores da Verdade como o eram a mil anos atrás. A Ordem Sufi Naqshbandi mantém-se um oásis de paz num mundo de sofrimento e conflito. Os seus membros são pacifistas por natureza e têm sempre sido defensores da tolerância religiosa. Os seguidores da Via Naqshbandi são construtores da comunidade que aspiram a estabelecer uma mais alta qualidade de vida baseada na consciência de Deus. Enquanto amado Amigo de Deus (wali), Shaukh Nazim epitomiza esta filosofia. Ele é conhecido por todo o mundo pelos seus incessantes esforços para promover a boa vontade e unificar as diversas gentes e grupos sob a Unicidade de Deus.

Shayk Nazim Adil al-Haqqani nasceu em Larnaca, Chipre, no dia 23 de Abril de 1922, um Domingo, o dia 26 do Shaban, 1340 H. A linhagem por parte do seu pai traça as suas raízes até Abdl al-Qadir Gilani, fundador da Ordem Qadiri. A linhagem por parte da sua mãe remonta a Jalaluddin Rumi, fundador da Ordem Mevlevi. Ele é Hasani-Husayni, aparentado ao Profeta (s.a.w.) através das linhagens dos seus avós à Família do Profeta (s.a.w.). Da parte do seu pai recebeu a Ordem Sufi Qadiri, e da parte da mãe a Ordem Sufi Mevlevi.

Durante a sua infância em Chipre, sentava-se com o seu avô paterno, que era um shaykh da Ordem Qadiri, para aprender a sua disciplina e espiritualidade. Extraordinários sinais manifestou desde cedo. A sua conduta era perfeita. Nunca brigou ou discutiu com ninguém. Foi sempre sorridente e paciente. Tanto os avós paternos como maternos o treinaram para o caminho espiritual.

Enquanto jovem, Shaykh Nazim foi muito considerado dado o seu incomum desenvolvimento espiritual. Toda a gente em Larnaca o conhecia pois desde tenra idade era capaz de aconselhar as pessoas, de predizer o futuro e de o revelar espontaneamente. A partir da idade de 5 anos por vezes a sua mãe não o encontrava. Depois de procurar, ela iria encontrá-lo ou na mesquita ou no túmulo de Umm Hiram (r), uma Companheira do Profeta (s.a.w.), cujo túmulo tem uma mesquita construída ao lado. Os turistas visitam o seu túmulo em grande número, atraídos pelo espetáculo de uma pedra suspensa por cima do seu túmulo. Quando a sua mãe tentava trazê-lo para casa, ele dizia “Deixa-me aqui com Umm Hiram (r), que foi enterrada 14 séculos atrás, a ouvir e a falar, a ouvir e a responder, a conversar com ela”.

Sempre que alguém o perturbasse, ele diria “Deixa-me, estou a falar com a minha avó que está nesta sepultura”. O seu pai mandou-o estudar o conhecimento secular durante o dia e à noite ele estudava as ciências religiosas. Era um gênio entre os seus colegas estudantes. Depois de completar os seus estudos da escola secundária, todas as noites devotava o seu tempo a estudar os ensinamentos das Ordens Mevlevi e Qadiri. Acresce que conduzia os círculos Qadiri e Mevlevi de dhikr todas as noites de Quinta e Sexta Feira.

Todos em Chipre o conheciam como uma pessoa de uma intensa espiritualidade. Ele aprendeu a Lei Divina, jurisprudência, a ciência das Tradições, lógica, os comentários do Corão, e era capaz de tomar decisões legais acerca de todos os assuntos. Era capaz de falar acerca de todos os níveis espirituais. Tinha um dom para explicar realidades difíceis por intermédio de aforismos claros e fáceis de entender.

Depois de completar a escola secundária em Chipre, em 1940 mudou-se para Instambul, onde viviam os seus dois irmãos e uma irmã. Estudou engenharia química na Universidade de Istambul, no bairro Bayazit. Ao mesmo tempo, estudou a Lei Divina e a língua Árabe com Shaykh Jamaluddin al-Lasuni (falecido em 1955). Recebeu o seu diploma em engenharia química destacando-se dentre os seus colegas. Quando os seus professores universitários o encorajaram a seguir como investigador, o jovem Nazim respondeu “Não sinto qualquer atracão pelas ciências modernas; o meu coração é sempre arrastado às ciências espirituais”.

Durante o primeiro ano em Instambul, Shaykh Nazim conheceu o seu primeiro mestre espiritual, Skaykh Sulayman Arzurumi, um shaykh de Ordem Naqshbandi (falecido em 1948). Enquanto estudou engenharia química também frequentou encontros do Shayk Sulayman para aprender a disciplina do Caminho Naqshbandi, em acrescento aos métodos Qadiri e Mevlevi de desenvolvimento espiritual.

Enquanto estudante, Shaykh Nazim era frequentemente visto na Mesquita do Sultão Ahmad, a meditar por si só pela noite fora. Acerca disto afirma:

“Lá recebi grandes benções e grande paz no meu coração. Fiz sempre a oração do amanhecer nessa mesquita com os meus dois Guias, Shaykh Lamaluddin al-Lasuni e Shaykh Sulayman Arzurum. Eles educaram-me e no meu coração depositaram conhecimento espiritual. Durante esse tempo tive muitas visões puxando-me na direção de Damasco mas não tinha ainda permissão do meu shaykh. Muitas vezes nas minhas visões, através do aniquilamento de mim mesmo, vi o Profeta Muhammad (s.a.w.) a chamar-me à sua presença. Havia um profundo anseio no meu coração em deixar tudo e migrar para a Santa Cidade do Profeta (s.a.w.).

Um dia, quando esta ânsia no meu coração era particularmente intensa, tive uma visão na qual Shaykh Sulayman me abanava pelos ombros e me dizia: ‘Agora a permissão chegou. Os teus segredos, a tua guarda e a tua orientação espiritual não estão comigo. Apenas te mantive à minha guarda até que estivesses preparado para o teu verdadeiro shaykh que também é o meu mestre, Shaykh Abd Allah ad-Daghestani. Ele detém as tuas chaves. Vai até ele a Damasco. Esta permissão vem de mim e do Profeta (s.a.w.).’

(Shaykh Sulayman Arzurumi era um dos 313 santos da Ordem Naqshbandi, que estão aos pés e representam os 313 mensageiros).

Essa visão cessou e com ela recebi a permissão para me deslocar para Damasco. Nas duas horas seguintes, procurei pelo meu shaykh para lhe contar esta visão. Ele abriu os seus braços e disse-me: ‘Meu filho, estás feliz com a tua visão?’ Então soube que ele sabia de tudo o que se tinha passado. Ele disse: ‘Não esperes. Dirige-te a Damasco’. Não me deu uma morada ou qualquer outra informação, excepto o nome, Shaykh Abd Allah ad-Daghestani em Damasco. Viajei de comboio de Istambul para Aleppo, onde fiquei algum tempo. Enquanto lá estive, fui de mesquita em mesquita, a orar, sentando-me com eruditos e passando o meu tempo em adoração e meditação.

Depois viajei para Hama, que, tal como Aleppo, é uma cidade muito antiga. Tentei deslocar-me para Damasco mas era impossível. Os franceses que ocupavam Damasco estavam a preparar-se para um ataque dos ingleses. Por isso viajei para Homs ao túmulo do Khalid ibn Walid (r), um companheiro do Profeta (s.a.w.), entrei na mesquita e orei. Um servo veio até mim e disse-me “Tive um sonho esta noite no qual o Profeta (s.a.w.) me aparece. Ele diz-me: ‘Um dos meus netos virá aqui amanhã. Toma conta dele por mim’ Ele mostrou-me o teu aspecto e vejo que és essa pessoa.’

Fiquei tão arrebatado pelo que ele disse que aceitei o seu convite. Deu-me um quarto na mesquita, onde fiquei por um ano. Não saí excepto para orar e para me sentar na companhia de dois eminentes eruditos de Homs que estavam a ensinar recitações e exegese do Corão, as Tradições e jurisprudência. Eram Shaykh Muhammad Ali Uyun as-Sud e Shaykh Abd al-Aziz Uyun as-Sud, o mufti de Homs. Também assisti aos ensinamentos espirituais de dois shaykhs Naqshbandi, Shaykh Abd al-Jalil Murad e Shaykh Said as-Suba’i. O meu coração ansiava por ir para Damasco mas por causa da guerra estar tão intensa decidi ir por uma via mais segura para Tripoli, depois para Beirute e então para Damasco.”

No ano 1944 AD, Shaykh Nazim viajou para Tripoli de autocarro. Era aí um estranho, não conhecendo ninguém. Ao deambular por lá deparou-se com Shaykh Munir al-Malek, o mufti de Tripoli e o shaykh de todas as ordens Sufis na cidade. Ele aproximou-se e disse: “Tu és o Shaykh Nazim? Tive um sonho no qual o Profeta (s.a.w.) me disse: ‘Um dos meus netos está a vir para Tripoli’. Mostrou-me o teu aspecto e disse-me para procurar por ti neste local. Ele disse-me para tomar conta de ti.

Shaykh Nazim relata:

“Fiquei com Shaykh Munir al-Malek por um mês. Ele arranjou-me forma de ir para Homs e de Homs para Damasco. Cheguei a Damasco numa Sexta Feira, no início do ano Hijri 1365 H ( 1945 AD). Eu sabia que Shaykh Abd Allah vivia no distrito de Hayy al-Maidan, perto do túmulo de Bilal al-Habashi (r) e de muitos descendentes do Profeta (s.a.w.), um antigo lugar cheio de monumentos de há muito tempo.

Não sabia qual das casas era a do shaykh. Naquele momento deparou-se-me uma visão, enquanto parado na rua, em que o shaykh estava a sair da sua casa e a chamar-me para entrar. Essa visão cessou mas não via ninguém na rua. Estava vazia por causa do bombardeamento pelo franceses e ingleses. Toda a gente estava com medo, escondendo-se em suas casas. Estava sozinho na rua. Prescrutei o meu coração para saber qual casa era a do shaykh. Então numa visão vi uma determinada casa com uma determinada porta. Assim que me aproximei para bater, o shaykh abriu a porta dizendo: ‘Bem vindo meu filho, Nazim Effendi’.

A sua aparência incomum atraiu-me de imediato. Nunca antes tinha visto um shaykh assim. Luz irradiava do seu rosto e fronte. Calor vinha do seu coração e do brilhante sorriso no seu rosto. Levou-me escadas acima, subindo para o seu quarto dizendo-me: ‘Temos estado a tua espera’.

No meu coração estava completamente feliz de estar com ele, mas também tinha o anseio de visitar a cidade do Sagrado Profeta (s.a.w.). Perguntei-lhe: ‘O que devo fazer?’ Ele disse: ‘Amanhã dar-te-ei a tua resposta. Por agora, repousa.’ Deu-me de jantar, e fiz com ele a oração da noite e dormi. Cedo de manhã, acordou-me para uma oração da noite extra. Nunca na minha vida senti tal poder como aquele no seu orar. Senti-me na Presença Divina e o meu coração estava ainda mais atraído por ele.

Veio a mim uma visão: vi-me a mim próprio a subir umas escadas a partir do nosso lugar de oração para o Bayat al-Mamur, a Kabah dos céus, degrau a degrau. Cada degrau era um estado em que ele me colocava. Em cada estado, recebi no meu coração conhecimento que nunca antes tinha aprendido ou ouvido. Palavras, frases e afirmações foram sendo reunidas de uma forma tão magnífica nessa via, transmitidas ao interior do meu coração em cada estado ao qual fui elevado, até alcançarmos a Bayt al-Mamur. Aí vi 124.000 profetas de pé em colunas para as orações, com o Profeta Muhammad (s.a.w.) como iman. Vi 124.000 Companheiros do Profeta Muhammad (s.a.w.) de pé em colunas por trás deles. Vi os 7.007 santos da Ordem Naqshbandi de pé atrás deles para a oração. Vi 124.000 santos das outras ordens, de pé em colunas para a oração.

Havia um espaço livre para duas pessoas logo à direita de Abu Bakr as-Siddiq (r). O Grandshaykh foi para esse lugar e levou-me com ele e executamos a oração do alvorecer. Nunca na minha vida tinha eu experimentado a doçura daquela oração. Quando o Sagrado Profeta Muhammad (s.a.w.) conduziu a oração, a beleza da sua recitação foi indescritível. Foi uma experiência que palavra alguma pode descrever, pois era um Assunto Divino. Assim que a oração acabou, acabou a visão e ouvi o shaykh a dizer-me para fazer o chamamento para a oração do alvorecer.

Ele efetuou a oração da alvorada e eu orei atrás dele. Lá fora podia ouvir os bombardeamentos dos dois exércitos. Ele deu-me a iniciação na Ordem Naqshbandi e disse-me: ‘Ó meu filho, temos poder tal que num segundo podemos fazer com o nosso discípulo atinja o seu estado’. Mal disse isto olhou para dentro do meu coração com os seus olhos. Enquanto o fazia, eles mudaram de amarelo para vermelho, depois para branco, depois para verde e preto. A cor dos seus olhos mudou à medida que derramava no meu coração o conhecimento associado a cada cor.

A cor amarela foi a primeira e correspondeu ao estagio do coração. Ele derramou no meu coração todo o tipo de conhecimentos do exterior necessários à vida diária das pessoas. Depois derramou a partir do estagio do segredo o conhecimento de todas as quarenta ordens provenientes de Ali ibn Abi Talib (r). Dei por mim mestre em todas estas ordens. Enquanto transmitia o conhecimento deste estagio, os seus olhos eram vermelhos. O terceiro estagio, que é o do segredo dos segredos, apenas é permitido a shaykhs da Ordem Naqshbandi, cujo imam é Abu Bakr (r). À medida que derramava para dentro do meu coração a partir deste estágio, os seus olhos mudaram para verde. Então levou-me ao estado da completa aniquilação, o estado do mais oculto no qual nada aparece. A cor dos seus olhos era o preto. Aqui ele trouxe-me à Presença de Deus. E depois trouxe-me de volta à existência.

Naquele momento o meu amor por ele era tão intenso que não era sequer capaz de imaginar estar longe dele. Não desejava nada senão ficar para sempre com ele e servi-lo. Então abateu-se a tempestade, o tornado desceu, e a turbulência ameaçou a calma. O teste era gigantesco. O meu coração estava em desespero quando me disse: ‘Meu filho, a tua gente está a necessitar de ti. Por agora dei-te o suficiente. Vai hoje para Chipre’. Demorei um ano e meio para o alcançar e passei uma noite com ele. E agora estava a ordenar-me que voltasse a Chipre, um lugar que não vejo há sete anos. Era para mim uma terrível ordem, mas na Via Sufi, o discípulo deve render-se e submeter-se à vontade do seu shaykh.

Depois de beijar as suas mãos e pés e com a sua permissão, procurei encontrar uma forma de viajar para Chipre. A Segunda Guerra Mundial estava a chegar ao fim. Não haviam transportes. Enquanto estava na rua a pensar estes pensamentos, uma pessoa chegou-se a mim e disse: ‘Ó shaykh, precisas de uma boleia?’ Eu disse: ‘Sim! Para onde vais?’ Ele disse: ‘Para Tripoli’. Levou-me no seu camião e em dois dias alcançamos Tripoli. Quando aí chegamos disse: ‘Leva-me ao porto’. Ele disse: ‘Para quê?’ Eu disse: ‘Para encontrar um barco para Chipre’. Ele disse: ‘Como? Ninguém está a viajar por mar com esta grande guerra a decorrer’. Eu disse: ‘Não te preocupes com isso. Deixa-me apenas lá’. Ele levou-me ao porto e deixou-me lá. Fiquei de novo surpreso quando vi Shaykh Munir al-Malek vir ao meu encontro. Disse: ‘Que amor é esse que o teu avô tem por ti? O Profeta (s.a.w.) surgiu-me de novo nos meus sonhos e disse-me: ‘O meu filho Nazim está a caminho. Toma conta dele’.

Fiquei com ele três dias. Pedi-lhe que me arranjasse passagem para Chipre. Ele tentou mas naquela altura era impossível dada a guerra e a falta de combustível. Não encontrou nada excepto um barco à vela. Disse-me: ‘Podes ir, mas é perigoso’. Eu respondi: ‘Tenho de ir porque é uma ordem do meu shaykh’. Shaykh Munir pagou ao dono um pesado preço para o convencer a levar-me. Zarpámos. Levamos sete dias a chegar a Chipre, uma viagem que normalmente leva quatro horas a barco a motor.

Assim que cheguei a terra e pus os meus pés no solo de Chipre, imediatamente uma visão espiritual foi aberta ao meu coração. Vi o Grandshaykh Abd Allah ad-Daghestani a dizer-me: ‘Ó meu filho, nada te impediu de levar a cabo a minha ordem. Alcançaste muito ao teres ouvido e aceite. A partir de agora eu estarei-te sempre visível. Em qualquer momento que o teu coração se me dirija, eu estarei aí. Qualquer pergunta que tenhas, receberás uma resposta diretamente da Presença Divina. Qualquer estado espiritual que desejes alcançar, ser-te-á concedido por causa da tua total submissão. Os santos estão todos satisfeitos contigo; o Profeta (s.a.w.) está satisfeito contigo’. Assim que disse isto senti-o ao meu lado e desde então ele nunca me deixou. Está sempre ao meu lado.

Grande Shaykh Abdullah ad-Daghestani (esq.) e Mawlana Shaykh Nazim ar-Rabbani (dir.)

 

Texto traduzido a partir de: Shaykh Muhammad Hisham Kabbani, Classical Islam and the Naqshbandi Sufi Tradition,
Fenton: ISCA 2004, p. 459-468.
Página oficial da Ordem Naqshbandi-Rabbani com discursos diários de Mawlana Shaykh Nazim: www.saltanat.org.